O ritmo acelerado da vida cotidiana nos habituou a esperar que todos os processos humanos respondam à mesma lógica de agilidade que rege as tecnologias digitais. Se uma mensagem é entregue em segundos e uma resposta pode ser obtida com um toque, por que nossas angústias, incertezas e lutos demorariam tanto para se reorganizar?
Essa expectativa gera um sofrimento secundário: o sofrimento por ainda não ter superado aquilo que a pressa social exige que já esteja resolvido.
O tempo cronológico versus o tempo psíquico
Diferente do tempo marcado pelo relógio, o tempo psíquico não avança de forma linear. Ele opera por avanços, pausas e retornos. Momentos que pareciam superados podem retornar diante de novos acontecimentos, exigindo que sejam pensados sob outro ângulo.
Em diálogo com a Filosofia e a Psicanálise, percebemos que o ser humano não é uma máquina a ser consertada, mas uma existência em constante processo de interpretação de si mesma.
Dar espaço ao que pede elaboração
Elaborar não significa esquecer ou apagar o passado, mas construir uma relação diferente com aquilo que nos constituiu. Quando nos permitimos um espaço de psicoterapia onde a pressa é suspensa, tornamo-nos capazes de ouvir o que nossas repetições e inquietações estão tentando nos dizer.